Jiri Trnka, Diretor de Inovação

 

Hoje, verdadeiros inovadores não passam de uma dúzia, no entanto, a maior parte do que nos é “vendido” como inovação não poderia estar mais longe disso.

 

A inovação não acontece a partir do nada

 

A maior parte do que é elogiado como inovação é, na verdade, apenas mais uma niteração de eventuais melhorias da mesma coisa. São alteradas as formas da “coisa”, mas nunca o fundo. A inovação autêntica requer que sejam criadas histórias inteiramente novas. Ou seja um novo paradigma e não apenas um novo produto ou serviço que não passa de uma simples melhoria.

Por causa disso, a inovação deve ser fruto de um esforço de grupo, um trabalho colaborativo. Isso requer que muitas mentes trabalhem em prol da inovação. Ainda assim, às vezes, até mesmo a mais inteligente coleção de mentes é incapaz de ser inovadora e há uma razão para isso:

 

Inovação não é uma metodologia para melhoria.

 

Para não sair da sua zona de conforto nossa tendência natural é nos apoiarmos em alicerces sólidos e reconfortantes, tais como metodologias ou processos comprovados e bem conhecidos. Porém não se podem esperar resultados diferentes, ou seja, verdadeiramente inovadores, se continuar fazendo sempre a mesma coisa.

 

Até se pode pegar um produto ou processo existente, fazer alguma “inovação” e sair com um produto melhor, mas melhorar um produto ou processo não é inovador. Para inovar, é preciso começar a partir de uma folha completamente em branco.

 

Por todos este motivos é muito difícil inovar, praticamente impossível, para uma empresa já estabelecida e funcionando em ritmo de cruzeiro. Nesta situação inovar, implica trocar tudo em tempo de voo. Esta situação representa um risco inaceitável para a empresa. Um caminho mais apropriado e menos arriscado é a criação de unidades de inovação independentes e autônomas que funcionam com uma mentalidade e uma dinâmica de startup. Desta forma o risco pode ser dimensionado e limitado, já, caso a ideia engrene, os benefícios são exponenciais pois esta semente pode se tornar o novo elemento transformador da empresa.

Para dar um exemplo, vamos analisar o que aconteceu em 1997, quando Steve Jobs retornou à Apple. Ele não alterou os produtos que a empresa estava lançando, ele adicionou um produto completamente novo. Como Simon Sinek diz em sua grande palestra no TED: quando a Apple lançou o iPod, a sabedoria predominante na época era “quem compraria um MP3 player de uma empresa de computadores?” Mas essa não era a ideia inovadora por trás da visão de Jobs. Apple, Jobs e sua equipe (novamente, isso não acontece no vácuo…) realinharam todo o posicionamento estratégico da Apple.

 

Então, o que podemos aprender com esse exemplo e que podemos aplicar imediatamente aos nossos estilos de liderança e gerenciamento? Como podemos manter uma mentalidade mais inovadora? Aqui estão três sugestões:

 

Não tenha medo

Inovação (inovação verdadeira) é arriscada e incerta. Se você já conhece o resultado da mudança que está propondo, então não é inovador. Uma mentalidade inovadora requer risco e o eventual fracasso faz parte do processo de inovação.

 

Não pare por pouco

A inovação autêntica não melhora um produto ou processo existente. A inovação analisa o fundamento básico desse produto ou processo. Não é inovador dizer “se tornarmos nosso produto um pouco mais barato, mais pessoas o comprarão”. É inovador dizer “este produto ou processo atende às necessidades de nossos clientes da melhor maneira possível? e caso negativo, o que precisamos colocar em prática para atender às suas necessidades?” Infelizmente muito do que se passa por inovação nos dias de hoje não chega a realmente fazer essas perguntas difíceis (e caras).

Não faça isso sozinho

A inovação é colaborativa. E é um processo longo, às vezes doloroso. Sem uma rede, um grupo, uma tribo para enfrentar os problemas juntos, você não apenas perderá o pensamento inovador, como também, provavelmente, nem consiga fazer qualquer melhoria.

 

referências: Tina Rataj-Berard – Unsplash, Simon Sinek – TED – Como grandes líderes inspiram ação, Eric Ries – The lean startup

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