vaca nelore

Nelore: O gigante do gado brasileiro e seu valor no mercado atual

Você conhece a raça bovina Nelore? Se a resposta for negativa, chegou a hora de mudar esse quadro! 

Gado amplamente distribuído por todo o Brasil, o Nelore é altamente adaptada ao clima tropical do país – e por isso um dos favoritos entre os produtores do setor. 

Originada da raça indiana Ongole, o Nelore foi introduzido no Brasil no século XIX, passou por aprimoramentos genéticos e, atualmente, representa cerca de 80% do gado de corte no país.

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Segundo a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), o Nelore é altamente resistente ao calor brasileiro devido à sua maior superfície corporal em relação ao tamanho do corpo – mas ele não oferece benefícios apenas por isso! 

Neste post, você vai conhecer mais sobre o Nelore, suas características físicas, curiosidades, importância na economia nacional e como criá-lo.

Quer saber mais? Continue a leitura!

Nelore: história e evolução da raça

Originária da antiga província de Madras, no estado de Andhra Pradesh, na Índia, a raça Nelore é resultado do cruzamento do Ongole com mais de quatorze raças distintas, trazidas pelas tribos arianas há aproximadamente cinco mil anos antes de Cristo.

Nelore O gigante do gado brasileiro e seu valor no mercado atual
 O Nelore já teve seu DNA sequenciado em uma pesquisa internacional realizada pelo professor José Fernando Garcia, da Universidade Estadual Paulista de Araçatuba (Unesp). Ao todo, o projeto demorou dois anos e custou U$ 500 mil.

Em seguida, a raça foi levada pelos arianos para o continente indiano. Mas na Índia, por questões religiosas e culturais, o Nelore acabou não se destinando à produção de carne, tampouco sofreu melhoramento genéticos.

Aliás, à época, seu uso era destinado apenas para o transporte de cargas pesadas e na extração de leite. 

Nelore no Brasil

Mas a trajetória do animal se transformou com toda a movimentação da sua chegada ao Brasil. 

Tudo começou na primeira metade do século XIX, de quando datam os primeiros registros de desembarque no país das espécies originários da Índia.

Segundo os registros da Associação Brasileira dos Criadores de Nelore (ABCN), a primeira introdução do Nelore no Brasil teria ocorrido no ano de 1868, quando um navio, que tinha como destino a Inglaterra, atracou em Salvador transportando um par de animais da raça. Esses animais teriam sido vendidos e permanecido no país.

No entanto, a história não parou por aí. Dez anos depois, em busca de animais exóticos para trazer ao Brasil, o imigrante suíço Manoel Ubelhart Lembgruber teve seu primeiro contato com a raça Ongole durante uma visita ao zoológico de Hamburgo, localizado na Alemanha. A partir desse encontro, ele promoveu a importação de um par de animais dessa raça em outubro de 1878.

Manoel Ubelhart Lembgruber
Manoel Ubelhart Lembgruber, pioneiro da pecuária no Brasil. (Imagem: Reprodução/Redes Sociais)

Diz a história que ele ficou tão maravilhado com os bovinos de chifres imponentes e cupins proeminentes nas costas que estavam em exposição no zoológico, que realizou sua primeira aquisição. Dessa forma, abriu caminho para o sucesso da raça no Brasil.

Outros precursores do Nelore no Brasil

Em 1906, Manuel de Souza Machado, um usineiro do Recôncavo Baiano, importou um casal de Nelore, chamados Cacique e Aracy, da Índia. A matriz Aracy estava prenha de um touro indiano e deu à luz a primeira bezerra vermelha e POI nascida no Brasil, chamada de Itabira.

rebanho de gado nelore no pasto
Atualmente, estima-se que o Brasil possua um enorme rebanho de bovinos, com mais de 200 milhões de animais criados para a produção de carne e leite em pastagens. Dentre esses, aproximadamente 80% do gado de corte pertence à raça Nelore ou possui características semelhantes (anelorado).

Em seguida, mais envios diretos da Índia chegaram ao Rio de Janeiro. O Nelore começou a se espalhar progressivamente, inicialmente no Rio de Janeiro e posteriormente em São Paulo e Minas Gerais. A definição das características raciais do Nelore começou em 1938 com a instituição do Registro Genealógico.

As duas últimas e significativas importações de reprodutores a raça ocorreram entre os anos de 1960 e 1962, período em que genearcas desembarcaram em Fernando de Noronha, onde passaram por quarentena. 

A contribuição de 1962, em particular, foi extremamente significativa para a pecuária brasileira, sendo considerada uma das mais importantes em termos de gado e melhoramento genético, segundo o criador e pecuarista Antonio José Prata Carvalho, conhecido como Tonico Carvalho da Nelore Brumado.

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Características do Nelore: Físicas e comportamento

Geralmente, os animais da raça Nelore exibem um estado geral saudável e bastante vigoroso: possuem uma estrutura óssea leve, ao mesmo tempo que robusta e forte, acompanhada também por uma musculatura compacta e bem distribuída. As características de machos e fêmeas são distintamente evidentes na aparência dos animais, como você verá adiante.

Características comportamentais

Hoje em dia, após uma vasta seleção e melhoramentos genéticos de décadas, o Nelore se tornou um animal bastante saudável, vigoroso e surpreendentemente dócil – embora seus traços masculinos e femininos sejam bem delineados, como você verá adiante. 

mae e filho nelore
Na Índia, o gado Nelore é usado para tração e muitas vezes se alimenta de restos de colheitas e comida nas ruas.

O Nelore, geralmente, conta com um porte que varia de médio para grande. Sua musculatura bem é distribuída e simultaneamente compacta. É basicamente como se ele tivesse uma ossatura leve, mas forte e robusta ao mesmo tempo.

Características físicas do Nelore

Vamos conhecer mais das características físicas da raça?

Pelo, cabeça, chanfro e orelhas

Pele: Os animais da raça Nelore geralmente possuem pelagem branca ou cinza-claro – os machos tendem a ter o pescoço e o cupim mais escuros. A pele é caracterizada pela cor preta ou escura, bem como solta, fina, flexível, macia e um pouco oleosa. Já os pelos são curtos, densos e apresentam coloração clara com medula.

vaca nelore
De origem europeia, a raça Angus conseguiu se adaptar melhor ao Sul do Brasil. Do outro lado, o Nelore, proveniente da Índia, teve a sorte de se dar bem em praticamente todo o território brasileiro.

Cabeça: A cabeça do Nelore conta com um formato semelhante a um caixão, com uma cara estreita, arcos orbitais discretos e um perfil ligeiramente convexo. Já a testa é desprovida de carne, com uma linha média ao longo do crânio, formando uma espécie de depressão alongada.

Chanfro: Os machos da raça apresentam um chanfro reto, largo e proporcional, enquanto nas fêmeas é estreito e delicado. O focinho é amplo, de cor preta, com narinas dilatadas e bem espaçadas, destacando-se como uma característica distintiva da raça. A boca possui abertura média e os lábios são firmes.

Orelhas: As orelhas dos animais da raça Nelore são de tamanho reduzido, com simetria entre a borda superior e inferior, terminando em ponta afilada. A face interna das orelhas deve estar direcionada para a frente e apresentar movimento adequado.

Chifres e Mochos

A raça Nelore pode ser classificada em animais com chifres e animais mochos (sem chifres).

Os chifres possuem coloração escura e apresentam uma forma cônica, com maior espessura na base.

Os chifres possuem uma estrutura achatada e apresentam uma seção oval, com uma superfície rugosa e estrias longitudinais. Eles surgem na direção ascendente, seguindo o contorno do animal, e estão firmemente implantados na linha da marrafa, lembrando a imagem de dois paus fincados de forma simétrica no crânio.

Conforme crescem, no entanto, os chifres podem se direcionar para diferentes direções: fora, para trás e para cima, ou curvar-se para trás e para baixo.

Pescoço 

Os machos apresentam um pescoço bem desenvolvido e musculoso, harmoniosamente integrado ao tronco.

Nas fêmeas, o pescoço é mais delicado. A barbela, que se inicia abaixo do maxilar inferior e se estende até o umbigo, é mais proeminente e enrugada nos machos. O peito do Nelore é amplo e possui uma boa cobertura muscular.

Dorso-lombar

A área dorsal-lombar do Nelore é ampla e reta, ligeiramente inclinada em direção à horizontalidade, formando uma conexão suave com sua parte traseira, apresentando uma musculatura bem desenvolvida.

O Nelore possui ancas espaçadas adequadamente e alinhadas horizontalmente. A parte traseira é alongada e larga, com uma leve inclinação, no mesmo nível das ancas e se fundindo suavemente com a região lombar, sem proeminências ou recessos, além de possuir uma boa camada de gordura cobrindo-a. O sacro não se destaca e está posicionado no mesmo nível das ancas.

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Cauda e tórax

A inserção da cauda do Nelore é feita de maneira equilibrada: ela estendendo-se até as articulações dos jarretes e apresentando uma ponta de pelos mais escuros. 

Seu tórax é espaçoso, amplo e profundo, assim, suas costelas também são mais alongadas, contando uma curvatura acentuada, estando bem separadas e cobertas por uma camada muscular, sem apresentar reentrâncias atrás das espáduas. O umbigo deve estar em proporção ao desenvolvimento geral do animal.

Membros anteriores e posteriores

Os membros dianteiros e traseiros do Nelore apresentam um comprimento moderado, com ossos fortes e músculos bem desenvolvidos. 

Com o aumento do contato com os seres humanos, o gado Nelore pode desenvolver um comportamento mais dócil.

As coxas e pernas são amplas, exibindo uma boa cobertura muscular e se estendendo até os jarretes, com calosidades bem definidas. Já as pernas devem estar bem alinhadas e espaçadas, e os cascos devem ter uma coloração preta.

Fêmeas e machos

No caso das fêmeas, o úbere deve ter um volume reduzido, com as tetas posicionadas para facilitar a aproximação dos bezerros. A vulva, por sua vez, deve apresentar uma conformação e desenvolvimento normais.

Quanto aos machos, a bolsa escrotal deve ser estreita e bem pigmentada, com ambos os testículos devidamente desenvolvidos. A bainha deve estar em proporção ao desenvolvimento do animal e ter uma orientação adequada. Por fim, o prepúcio deve estar retraído.

Leia também: Agrossilvopastoril e a evolução do confinamento de gado

Manejo e cuidados com os Nelores

Como já se sabe, cerca de 80% do gado do corte brasileiro vem do Nelore, portanto, sua criação é disseminada em praticamente todos os territórios. 

No entanto, existem algumas particularidades da raça, tanto em termos de manejo como criação, para que os produtores consigam aprimorar a atividade pecuária – garantindo assim mais lucros. 

Confira cinco principais dicas para a criação do gado:

a) Quais as diferenças na criação do Nelore?

Como visto, nosso país conta com o maior rebanho de espécies bovinas para corte do mundo. Deste segmento, aliás, dois dos principais nomes são o Angus e, claro, o Nelore. 

De origem europeia, a raça Angus conseguiu se adaptar melhor ao Sul do Brasil. Do outro lado, o Nelore, proveniente da Índia, teve a sorte de se dar bem em praticamente todo o território brasileiro.

gado
No Brasil, o Nelore é predominantemente criado para a produção de carne, devido à sua excelente adaptação ao sistema de pastoreio. Essa raça demonstra uma notável resistência a parasitas externos e internos.

Visto que o Nelore representa 80% do gado de corte brasileiro, estabeleceram-se algumas condutas para o seu sistema de criação, estritamente baseados em seu comportamento e características. Veja quais: 

  • Adaptabilidade notável a climas tropicais;
  • Digestão eficiente e menor produção de calor corporal;
  • Pele resistente a parasitas externos;
  • Temperamento ativo e amigável;
  • Armazenamento de energia na forma de cupins;
  • Alta resistência desde o período de gestação.

b) Fases da criação do Nelore

No que diz respeito à criação de gado de corte no Brasil, existem quatro tipos de características que têm se destacado:

  • Criação extensiva em pasto nativo;
  • Criação extensiva em pasto cultivado;
  • Criação semi-intensiva;
  • Criação em confinamento.

A forma predominante de criação de gado de corte no Brasil é a extensiva, ocorrendo em ambos pastos nativos e cultivados. Já a criação semi-intensiva tem demonstrado resultados excelentes, além de contar com o apoio direto da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

nelore
No Brasil, a criação de gado Nelore tem obtido um êxito significativo devido à sua robustez e extraordinária adaptabilidade às condições ambientais do país.

Em resumo, o processo de desenvolvimento de um rebanho destinado ao corte envolve às seguintes fases: criação, recria e engorda.

1. Cria

Para dar início, a cria é o período que vai desde o nascimento do bezerro até o seu desmame, quando ele abandona a alimentação via leite materno.

Geralmente, essa etapa se estende até os 6 ou 8 meses, sendo um período crucial para fortalecer o bezerro e permitir seu desenvolvimento adequado, permitindo a manifestação de seu potencial genético.

No início da fase de cria, existem duas situações críticas que exigem atenção especial: a ingestão do colostro e o tratamento do umbigo. Ambos os momentos, aliás, representam períodos de pura vulnerabilidade para o bezerro. A ingestão do colostro é crucial, pois garante não apenas a nutrição imediata, bem como a construção do sistema imunológico do filhote.

Por sua vez, os cuidados com o umbigo são essenciais, uma vez que o coto, local de inserção do umbigo, pode ser a porta de entrada de inúmeras infecções. Muitas dessas ocorrências, aliás, podem ser fatais para os bezerros e, quando não são, reduzem a capacidade produtiva do animal.

2. Recria

Já a fase de recria é aquela que marca o início da transição para a alimentação sólida do bezerro. Em condições naturais, a vaca matriz inicia esse processo ao evitar e impedir a mamada, dessa forma encorajando o bezerro a buscar a própria alimentação sólida.

É crucial conduzir a fase de recria com extrema atenção e sobretudo em relação à alimentação. Uma recria deficiente, por exemplo, pode ter um impacto negativo na engorda – o que consequentemente leva a uma diminuição na produtividade do rebanho, entre outros.

turma de nelores
O Nelore é uma raça amplamente difundida em todo o país, comprovando sua alta fertilidade. As fêmeas adultas podem atingir um peso de 600 kg, enquanto os touros podem facilmente ultrapassar os 1200 kg.

A seleção da melhor pastagem para o gado de corte, bem como a implementação de um manejo adequado da fertilidade do solo são duplamente fundamentais para esse propósito. É crucial também que os preparativos para o pasto nos piquetes da fase de recria tenham sido realizados no momento oportuno.

Durante essa fase, é essencial garantir uma boa oferta de água e fornecer suplementação alimentar adequada no cocho (bebedouro ou comedouro do bezerro), visando obter resultados zootécnicos satisfatórios. É importante também conduzir essa suplementação de forma técnica, a fim de maximizar a eficiência e evitar perdas desnecessárias.

Além disso, o controle de ectoparasitas nos animais é indispensável para manter a saúde em ótimas condições. Realizar avaliações periódicas da presença de carrapatos, principalmente, é fundamental para assegurar um rebanho saudável e com um excelente desenvolvimento.

3. Engorda

Por último, a fase final é conhecida como engorda ou terminação, na qual ocorre o estímulo máximo ao desenvolvimento dos animais. Essa etapa tem início quando o garrote atinge cerca de 300 kg (20 arrobas; no Brasil, aproximadamente 15 kg por arroba).

O principal objetivo dessa fase é garantir que os animais atinjam um peso médio de 450 kg (30 arrobas), visando produzir uma quantidade maior e melhor qualidade de carne. Para isso, é essencial fornecer uma alimentação específica para o ganho de peso.

Os cuidados nutricionais desempenham um papel crucial nesse período de terminação, com o intuito de garantir o máximo desempenho dos animais. Uma dieta baseada em uma ração adequada para o rebanho, por exemplo, é um fator indispensável para alcançar uma boa produtividade.

Aproveitar ao máximo as pastagens ainda disponíveis é crucial, especialmente durante os períodos de seca. Essa abordagem alimentar, aliás, é uma estratégia para suprir as deficiências nutricionais encontradas nas pastagens. Portanto, é recomendada a complementação por meio de núcleos (suplementos minerais com aditivos) e de grãos.

c) Criação de Nelore: área

Não existe uma regra geral que defina o tamanho exato da área necessária para a criação de gado Nelore. Na verdade, diversos elementos do sistema de criação adotado são determinantes para identificar a área mais adequada.

O que deve ser considerado, no entanto, são os seguintes fatores: 

  • Condições climáticas da região;
  • Fertilidade do solo;
  • Qualidade das pastagens;
  • Fase da criação (cria, recria ou engorda);
  • Disponibilidade de mão de obra;
  • Nível de tecnologia disponível;
  • Proximidade do mercado.

Em contrapartida, se a área disponível for menor, a criação se tornará mais intensiva. Em outras palavras: em uma maior demanda por recursos, especialmente para garantir uma suplementação alimentar adequada.

d) Confinamento do gado

O confinamento do gado é um método de criação em que os animais são agrupados em lotes e, em seguida, mantidos em áreas limitadas e individuais. Nesse sistema, alimentação das espécies é fornecida – principalmente – por meio de cochos.

@matheusairesr

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♬ SNAP – Rosa Linn

Já a dieta, por sua vez, é meticulosamente cuidada, formulada e acompanhada tecnicamente: ao todo, ela consiste essencialmente por suplementos alimentares e rações. 

Em suma, uma questão relevante a se considerar no confinamento do Nelore é a adequação do cercamento das instalações. É essencial, por exemplo, que a cerca utilizada seja apropriada, construída especificamente para esse propósito e com a utilização de arames de qualidade superior e adequados, garantindo a eficiência do confinamento.

e) Alimentação

Em qualquer sistema de criação, seja de Angus, Nelore ou Braham, é essencial dedicar uma atenção especial ao manejo nutricional, pois ele é fundamental para obter os resultados desejados. Além de uma pastagem de qualidade, que forneça os nutrientes essenciais, é importante considerar a suplementação alimentar.

O Nelore deve receber dois tipos de alimentos, os volumosos e os concentrados.

Volumosos

A alimentação volumosa é composta por alimentos que possuem altos teores de fibras e baixo valor energético. Há uma diversidade de opções de alimentos volumosos para o gado, incluindo:

  • Vegetação para pastejo (pastagem);
  • Forragem verde fornecida no cocho;
  • Silagem;
  • Feno.

Essas alternativas oferecem uma variedade de opções para suprir as necessidades de alimentação volumosa do gado.

Concentrados

Já os concentrados, por sua vez, em contraste com os volumosos, contam com baixos teores de fibras e são ricos em energia e proteína, ou seja, são alimentos mais nutritivos. Alguns exemplos de concentrados incluem:

  • Farelo de soja;
  • Farelo de algodão;
  • Farelo de girassol;
  • Grãos de soja.

Esses alimentos concentrados oferecem uma fonte adicional de nutrientes essenciais para complementar a dieta do gado.

Leia também: Os impactos positivos da nutrição de precisão na produção animal

Curiosidades e fatos interessantes sobre os Nelores

Hoje ele é tão brasileiro quanto o futebol, o samba, o carnaval e a caipirinha. Mas, além disso, o Nelore pode ser também considerada a maior vitória da carne brasileira. 

Exportada para mais de 146 países e demandada por consumidores especialistas do mundo todo a cada dia que passa, é um grande orgulho ter o nosso país como seu grande lar. 

Conheça agora alguns fatos curiosos sobre essa raça que tanto mora nas grelhas e pratos das maiores churrascarias nacionais. 

Brasil contra Argentina 

A rivalidade entre os dois países não se limita apenas ao futebol: até seus rebanhos de Nelore são diferentes. Na Argentina, a popularidade da carne não chega nem perto dos 50% que representa sua maior atração, o Angus. Enquanto no Brasil, mais de 80% da produção é do Nelore. 

bandeiras do brasil e da argentina
Na Argentina, a raça mais popular de gado é a Angus, seguida pela Hereford.

Essa discrepância pode ser facilmente explicada: o clima de ambos os países. Embora vizinhos, o Brasil e a Argentina contam com climas praticamente opostos nas regiões onde a pastagem predomina.

Resistência

O nelore tem bastante resistência, suportando bem o calor – para a sorte dos produtores. Isso porque sua pelagem curta e metabolismo mais baixo do que os animais de origem europeia, o tornam mais resiliente a condições adversas – e também a parasitas.

Dolly ou “Nelorry”?

O primeiro clone gerado no Brasil a partir da célula de um animal adulto, utilizando o método de “clonagem verdadeira” – o mesmo utilizado para criar a ovelha Dolly – é da raça Nelore.

Zezé di Camargo (sem Luciano)

Nascido no interior de Goiás, Zezé di Camargo sempre teve o desejo de ser pecuarista – além de cantor, claro. Por isso, em 1993, adquiriu uma fazenda no Vale do Araguaia, em Araguapaz (GO), onde mantém vacas de alto valor, chegando a R$ 1,5 milhão. 

zeze di carmargo e um nelore
Zezé di Camargo já exibiu na televisão a sua fazenda e gado em um programa da Rede Record.

A fazenda também conta com um laboratório especializado em reprodução de gado Nelore puro por meio de técnicas de inseminação artificial. Com interesse na raça Nelore desde antes de se tornar cantor, ele começou a investir nessa raça, adquirindo inicialmente 360 exemplares. Focando no melhoramento genético, o cantor passou a vender animais Nelore puros.

Falando em cantoria…

A canção do cantor Zedu, “Mundo Nelore”, retrata as virtudes da raça e ainda presta uma homenagem à espécie no país. Ouça-a abaixo: 

A vaca mais cara do mundo é Nelore

Em 2023, uma vaca bateu recordes de venda ao ser arrematada por R$ 21 milhões em um leilão. Com isso, a vaca da raça nelore Viatina-19 FIV Mara Móveis passou a se tornar o nelore mais valioso do Brasil – e do mundo. 

jornal que mostra a vaca mais cara do mundo da raça nelore
Entenda por que vaca goiana é considerada a mais cara do mundo ao ser avaliada por R$ 21 milhões (Reprodução: G1)

No Leilão HRO Experience Embryo, realizado em Arandu (SP), 33% das cotas de Viatina-19 foram arrematadas por R$ 6,993 milhões, fazendo sua valorização alcançar R$ 20,979 milhões.

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Nome

O nome “Nelore” foi dado à raça de gado devido ao porto homônimo, localizado na costa oriental da Índia, em Andhra Pradesh. 

Foi desse porto, aliás, que os primeiros animais da raça foram embarcados para o nosso país. Além disso, o nome Nelore era utilizado para se referir a um distrito da antiga Província de Madras, localizado na mesma região indiana.

Leia também: Intensificar a recria do gado traz ganhos à pecuária e lucratividade ao produtor

Nelore e o seu grande papel para com a economia

O Brasil é conhecido por ter o maior número de bovinos criados para fins comerciais em todo o mundo. Isso fez com que o país se destacasse como o principal exportador de carne bovina globalmente.

Ao todo, o país conta com mais de 214 milhões de bovinos, produz mais de 9,5 milhões de toneladas de carne por ano e exportou mais de 1,85 milhão de toneladas de carne em 2019, de acordo com estimativas da Embrapa

De acordo com a ACNB, estima-se que o Brasil tenha um rebanho de mais de 200 milhões de bovinos de corte e leite criados em pastagens. Dessas cabeças, aproximadamente 80% são da raça Nelore ou possuem características semelhantes, totalizando mais de 100 milhões de animais.

Indiscutivelmente, a indústria bovina desempenha um papel fundamental na economia do Brasil, além de contribuir para a disponibilidade de alimentos de alta qualidade tanto para os brasileiros como para o resto do mundo. Essas razões são suficientes para justificar testemunhos de indivíduos renomados e anônimos, como afirma Nabih Amin El Auoar, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB). 

Ao todo, também é estimado que hoje mais de 100 milhões de cabeças de gado bovino no Brasil são nelore ou anelorados (com sangue nelore), colocando a raça como a protagonista da pecuária de corte no país.

A raça Nelore continua a desempenhar um papel significativo na pecuária brasileira, especialmente em regiões onde a criação de gado é a principal fonte de renda. 

Adicionalmente, a raça desempenha um papel crucial na economia da produção de carne e leite. E claro, conta com uma genética valorizada. 

De acordo com um relatório do World Resources Institute (WRI) conduzido na Polônia, prevê-se que a produção mundial de carne precisará dobrar até 2050 para atender à crescente demanda. Nesse contexto, é esperado que raças como o Nelore continuem a crescer tanto em tamanho quanto em qualidade para atender a essa necessidade.

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