Renato Schlobach Moyses é leiloeiro e utiliza a plataforma Superbid

Em 2017, encerramos um bom ano para o setor sucroenergético brasileiro na perspectiva econômica. O destaque ficou por conta do clima favorável para o cultivo da cana-de-açúcar e a aprovação na Câmara e no Senado do projeto de lei RenovaBio

A iniciativa visa fomentar a produção de biocombustíveis, o que seria essencial para o Brasil cumprir metas assumidas no Acordo do Clima de Paris. O cenário não foi diferente nas vendas de usinas do setor sucroenergético.

Um dos exemplos é o complexo da Laginha Agroindustrial, do antigo Grupo João Lyra, cuja falência foi decretada em 2013 e que teve sua venda realizada em dezembro de 2017 pelo Superbid, empresa de tecnologia que oferece soluções de e-commerce para bens de capital e de consumo duráveis.

No leilão Laginha, a usina Triálcool, localizada em Canápolis (MG), foi arrematada pela Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) por R$ 133.826.220,00. Ela possui capacidade de produção de 1,8 milhão de toneladas de cana por safra em mais de 6 mil hectares.

Já a usina Vale do Paranaíba, que está em Capinópolis (MG), foi vendida para o Grupo Japungu por R$ 206.358.000,00. Ela tem cerca de 3 mil hectares e 1,7 milhão de toneladas de cana por safra.

Muitos me perguntaram sobre a razão do sucesso dessa venda. Diante disso, gostaria de compartilhar a experiência do leilão Laginha e a importância da estratégia utilizada, afinal, conduzir o leilão vai muito além dos trâmites de edital, avaliação técnica e mediação da disputa.

O segredo está em reunir os parceiros certos e especialistas no ativo a ser vendido – que neste caso era bastante específico.

Em conjunto com o leiloeiro Osman Sobral e Silva, de Alagoas, a estratégia consistiu, principalmente, em firmar parcerias e ações essenciais para a venda das usinas.

Uma combinação da expertise, audiência e transparência do nosso trabalho e do site Superbid, com parceiros especialistas em agronegócios, especificamente no setor sucroalcooleiro, foi fundamental para informar detalhes técnicos das usinas a potenciais compradores.

Time reunido, plano estratégico traçado, era a hora de iniciar as ações de divulgação do leilão.

A mídia televisiva especializada no agronegócio, e com alcance nacional, foi acionada. Apoio comercial e relacionamento com o mercado investidor também entraram no processo de venda. Também acionamos a imprensa, fornecendo informações que despertassem o interesse dos jornalistas em publicar notas e reportagens sobre o assunto.

Deu certo! A ação final veio na Conferência Internacional da Datagro sobre Açúcar e Etanol 2017, em São Paulo. O projeto do leilão Laginha Agroindustrial foi apresentado a mais de 900 pessoas de 30 países – os dois grupos compradores, inclusive, estavam presentes.

Ao fim do projeto, e com as vendas realizadas, empresas e proprietários rurais do entorno das usinas celebraram a retomada das atividades, que devem gerar 20 mil empregos diretos e indiretos, investimentos em áreas sociais das regiões, retomada de atividades, entre outros benefícios.

O projeto de venda da massa falida Laginha ainda não terminou: para 2018 já temos previstas outras três usinas de Alagoas com quase 36 mil hectares e capacidade de moagem de 3,8 milhões de toneladas de cana por safra. Um novo plano estratégico será traçado, mas a experiência da venda anterior permanecerá e nos ajudará a apoiar o poder judiciário na resolução de casos tão complexos e emblemáticos.

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