Recupere capital em projetos de desinvestimento
Jacqueline Luz, diretora comercial do Superbid
A cultura da desmobilização de ativos ainda é um desafio dentro das grandes empresas. Ao adquirir matérias-primas, veículos e maquinário, dificilmente as companhias colocam entre as principais precauções o desinvestimento, o cronograma da vida útil dos bens, e como será a troca e o rumo que os itens usados irão tomar ao se tornarem inservíveis às suas demandas.
A necessidade da desmobilização é nítida em qualquer companhia e não significa uma crise ou falência — em algum momento frotas terão de ser renovadas, unidades mudarão de local, equipamentos de escritório serão trocados, máquinas de obras encerradas terão de ser removidas.
Diante disso, no entanto, a ação imediata dessas empresas não é recuperar capital sobre essa desmobilização, mas sim livrar o espaço, e é aí onde está um erro nos negócios!
Recentemente fomos a uma indústria que estava preocupada em trocar suas máquinas e precisava liberar espaço para os novos equipamentos.
Surpreendeu-me o fato de eles optarem por sucatear as máquinas usadas, que estavam em um estado bom, ainda que não servissem mais aos negócios da empresa.
A venda foi baseada no peso da sucata, mas os itens poderiam ser recolocados de diversas outras formas até mesmo para empresas que não necessariamente têm relação com o negócio da indústria. Imagine o quanto de dinheiro foi perdido!
Por outro lado, uma empresa cliente vendia equipamentos via contrato de sucata e, ao se planejar conosco, passou a vender como equipamento a um consumidor final que precisa daquele maquinário para sua frota.
Quais as soluções de que as empresas dispõem para desmobilizar ativos, recuperar capital e maximizar lucros em um processo transparente para diretores e acionistas?
Ao adquirir um novo bem, seja uma matéria-prima ou uma frota, o ideal é fazer um plano de desinvestimento. Assim, os itens terão um cronograma até a desmobilização com recuperação de capital alinhado à compra de um novo.
Ao longo da minha experiência de nove anos dentro desse segmento, conduzi desinvestimentos transparentes e com os melhores retornos de acordo com as demandas e necessidades de cada companhia. Compartilho com vocês algumas ações que certamente vão gerar retorno e organização à gestão de ativos.
Transferir ativos dentro da própria empresa
A empresa possui filiais? Se a resposta for sim, essa é a primeira alternativa em vista na hora de desmobilizar ativos: identificar a oportunidade dentro da própria estrutura.
Obviamente há que considerar fatores como estado geral dos itens, custos logísticos (transportar de uma região para outra às vezes custa o valor de novos bens), emissão de notas para diferentes CNPJs, etc.
A tecnologia também é uma grande aliada nesse remanejamento. O Superbid, por exemplo, desenvolveu a Asset Redeployment Tool (ART), ferramenta online que permite que as empresas mostrem seus ativos em uma vitrine interna e os disponibilizem a diversas filiais de um grupo, facilitando a troca e, claro, obtendo capital.
Oferecer à rede de fornecedores ou Trade-in
Oferecer para o fornecedor onde os itens foram adquiridos pode ser um desinvestimento com maior retorno de capital. Contudo, nem sempre os fornecedores têm interesse em receber esse bens novamente.
Já se a companhia está interessada em renovar os ativos, trocar o usado pelo desconto no novo é um desinvestimento comum e vantajoso para as grandes empresas.
O trade-in é uma opção mais visada, especialmente, quando os ativos são frotas, já que muitas montadoras são abertas a esse tipo de negociação.
Mas atenção: se os ativos estiverem muito avariados, a compra pode sair por um valor muito baixo e não compensar para a empresa vendedora.
Desinvestimento por Venda Direta
Algumas empresas têm condições de trabalhar com um cronograma de vendas mais estruturado, assim a venda direta é a melhor solução para desmobilizar os ativos.
Com profissionais especializados e que conhecem bem o mercado, os itens serão direcionados a compradores em potencial, dispostos a esse tipo de compra e que valorizam os bens usados pelas empresas vendedoras. Nesse caso, a recuperação de capital será mais garantida, além do maior alcance tanto no mercado nacional quanto internacional.
Liquidação forçada
Escoar grandes volumes com rapidez. É comum que em grandes renovações ou mudanças de complexos a desmobilização necessite de velocidade, entretanto, deve haver planejamento e ferramentas eficientes.
Com essa urgência na venda, a liquidação forçada por leilão é a melhor opção às vendedoras, já que oferece grande audiência dentro do país e no exterior.
Há poucos meses, uma empresa do setor de agronegócio desmobilizou conosco 72 tratores em um único dia, o que equivale a aproximadamente R$ 2,6 milhões recuperados — nenhum outro canal que não seja uma plataforma consegue oferecer solução tão rápida com volume tão alto.
Agora, estamos trabalhando em um projeto para uma grande empresa de bebidas e vamos desmobilizar uma frota de mais de mil veículos leves pelo mesmo canal e melhor valor de mercado.
Há também as soluções não muito vantajosas…
Negociação com corretores e dealers
Embora tenham contatos importantes do mercado, para conseguirem lucro sobre a venda, corretores tendem a baixar muito os valores para o vendedor.
Claro que há profissionais renomados e confiáveis, mas é importante acompanhar de perto essas negociações para não perder o que poderia ser um ótimo retorno para empresa e acionistas.
Vender como sucata
Quando os ativos estão muito avariados, realmente é a opção que resta, mas que, ainda assim, pode gerar retorno se feito com planejamento e por canais confiáveis, como a liquidação forçada.
Trago essas reflexões especialmente pelo que testemunhei ao longo desses anos, vendo empresas que deixaram de ganhar muito pela simples falta de planejamento.
Utilizar canais corretos com o direcionamento de profissionais especializados é fundamental para a recuperação de capital com ativos usados.
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