Negociação de máquinas pesadas cresce 37% em volume e ganha papel estratégico na gestão de frotas

Negociação de máquinas pesadas cresce 37% em volume e ganha papel estratégico na gestão de frotas

A negociação de máquinas pesadas entrou em uma nova fase no Brasil. Em um cenário marcado por juros elevados, alto custo de máquinas novas e maior pressão por eficiência operacional, empresas de construção e mineração passaram a olhar para a gestão de ativos de forma mais estratégica. O resultado é um aumento significativo da circulação de equipamentos no mercado secundário.

De acordo com levantamento da SOLD, empresa do Grupo Superbid especializada na negociação de ativos, entre 2024 e 2025, o volume de máquinas pesadas negociadas cresceu cerca de 37%, indicando um mercado mais líquido, com maior giro de ativos e preços mais ajustados à realidade financeira das empresas.

Mais máquinas em circulação, menos imobilização de capital

O aumento expressivo no volume negociado revela uma mudança importante na forma como grandes empresas estão lidando com suas frotas. A desmobilização de ativos deixou de ser uma ação pontual e passou a integrar o ciclo natural de gestão operacional e financeira.

Construtoras, mineradoras e locadoras vêm adotando estratégias mais ativas de renovação de frota, com objetivos claros:

  • reduzir a idade média dos equipamentos
  • liberar capital imobilizado
  • manter foco no core business
  • ganhar eficiência operacional

Esse movimento reflete uma maior maturidade na gestão de ativos de alto valor, especialmente em setores onde decisões equivocadas têm impacto direto no caixa e na produtividade.

Mercado mais líquido e racional

Mesmo com o crescimento robusto em volume, o avanço mais moderado no valor financeiro das negociações sugere uma dinâmica diferente da observada em ciclos anteriores. Em vez de operações pontuais e concentradas, o mercado passa a operar com maior frequência, pulverização e racionalidade.

Na prática, isso significa:

  • mais ativos disponíveis
  • maior diversidade de compradores
  • negociações mais ágeis
  • preços alinhados à realidade do mercado

A leitura é de um mercado menos oportunista e mais funcional, no qual a negociação de máquinas passa a ser tratada como ferramenta de gestão e não apenas como desinvestimento emergencial.

A negociação como parte da estratégia de gestão de frota

A mudança fica clara na avaliação de quem acompanha de perto esse movimento. Segundo Jacqueline Luz, Diretora Comercial do setor de Infraestrutura da SOLD, o aumento do volume negociado reflete uma transformação estrutural no setor:

“O crescimento de mais de 30% no volume de máquinas pesadas negociadas em um ano mostra que a desmobilização de ativos deixou de ser uma ação pontual e passou a fazer parte da estratégia de gestão de grandes empresas. Construtoras, mineradoras e locadoras estão olhando para a negociação de frota como uma forma de ganhar eficiência, liberar capital e manter a operação alinhada ao core do negócio.”

Onde o modelo tradicional começa a mostrar limites

Com mais máquinas em circulação e maior frequência de negociações, muitos gestores passaram a enfrentar limitações nos modelos tradicionais. Processos informais, negociações descentralizadas e controles manuais tornam-se difíceis de sustentar à medida que o volume cresce.

Entre os desafios mais recorrentes estão:

  • dificuldade de padronizar regras de negociação
  • pouca visibilidade sobre o histórico dos ativos
  • retrabalho operacional
  • dependência excessiva de canais informais
  • aumento do risco jurídico e de compliance

À medida que o mercado amadurece, esses gargalos passam a pesar mais na tomada de decisão.

O papel do mercado de usados na eficiência operacional

Outro aspecto relevante desse cenário é o fortalecimento da demanda por máquinas usadas, especialmente por parte de pequenas e médias empresas. Com acesso restrito a crédito e prazos longos para aquisição de equipamentos novos, o mercado secundário tornou-se uma alternativa viável para ampliar capacidade produtiva.

Para esses compradores, as máquinas usadas oferecem:

  • acesso mais rápido aos ativos
  • menor necessidade de imobilização de capital
  • possibilidade de crescimento gradual
  • melhor adequação à realidade financeira

Esse movimento cria uma dinâmica complementar: grandes empresas renovam frotas e liberam capital, enquanto empresas menores acessam equipamentos que viabilizam novos projetos.

Um setor em transformação

Os dados levantados pela SOLD indicam que a negociação de máquinas pesadas deixou de ocupar um papel secundário na operação de empresas de construção e mineração. Em um ambiente de custos elevados e maior pressão por eficiência, a gestão ativa da frota passa a ter impacto direto na estratégia financeira e operacional.

O crescimento do mercado de usados e o aumento do volume de máquinas em circulação sinalizam um setor em transformação. Mais do que acompanhar esse movimento, o desafio para as empresas agora é organizar a gestão dos ativos de forma consistente, previsível e alinhada às exigências do mercado.

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