Volume de ativos industriais negociados mais que dobra em um ano e sinaliza reorganização do parque fabril

Volume de ativos industriais negociados mais que dobra em um ano e sinaliza reorganização do parque fabril

A indústria brasileira vive um momento de reorganização do seu parque fabril. Em um setor que reúne cerca de 8 mil empresas e mais de 400 mil empregos diretos, decisões relacionadas à modernização de plantas, eficiência produtiva e melhor uso do capital passaram a ganhar protagonismo na agenda das companhias.

Nesse contexto, um movimento chama atenção: de acordo com dados da SOLD, empresa do Grupo Superbid especializada na negociação de ativos, entre 2024 e 2025, o volume de ativos industriais negociados cresceu mais de 100%, indicando que a gestão de equipamentos e linhas produtivas deixou de ser um tema periférico e passou a integrar decisões estratégicas das empresas.

Modernização e investimento impulsionam a circulação de ativos

Dados setoriais reforçam esse cenário. Levantamentos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que 70% das indústrias de transformação investiram em 2024, com foco principalmente na modernização de processos e equipamentos. Entre as grandes indústrias, esse percentual chega a 73%, evidenciando um ambiente mais ativo em decisões de renovação tecnológica.

Esse movimento ajuda a explicar o aumento expressivo da circulação de ativos no mercado secundário. À medida que plantas industriais são modernizadas, equipamentos deixam de fazer sentido em determinados processos produtivos e passam a ser realocados para outros contextos industriais.

Reconfiguração do parque fabril ganha ritmo

O crescimento no volume de ativos negociados reflete uma mudança clara no comportamento das empresas em relação ao chão de fábrica. Equipamentos que antes permaneciam longos períodos subutilizados ou tecnologicamente defasados agora entram com mais frequência nos planos de reorganização produtiva.

Entre os principais fatores que impulsionam esse movimento estão:

  • modernização do parque fabril
  • encerramento ou substituição de linhas produtivas
  • busca por maior eficiência energética
  • foco em processos mais alinhados ao core industrial

Na prática, a indústria passou a avaliar com mais rigor o custo de manter ativos que já não acompanham as exigências atuais de produtividade e competitividade.

Ativos deixam de ser passivos invisíveis

Historicamente, muitos ativos industriais permaneceram nos balanços como passivos silenciosos. Máquinas obsoletas, linhas pouco eficientes ou equipamentos com alto consumo energético seguiam ocupando espaço físico e capital, mesmo sem gerar retorno proporcional.

O aumento expressivo da negociação de ativos indica uma mudança nesse padrão. Em vez de postergar decisões, empresas passaram a tratar a realocação e a desmobilização de equipamentos como parte do ciclo natural de gestão industrial, contribuindo para maior flexibilidade produtiva e melhor aproveitamento do capital investido.

Desmobilização integrada à estratégia industrial

Segundo Marcelo Pinheiro, Diretor da BU Industrial da SOLD, o crescimento do volume negociado reflete uma indústria mais estratégica na gestão do seu parque produtivo.

“O crescimento superior a 100% no volume de ativos industriais negociados em um ano mostra que a indústria passou a tratar a desmobilização de equipamentos como parte da estratégia de gestão. Modernização de plantas, encerramento de linhas e eficiência energética deixaram de ser exceção e passaram a orientar decisões mais recorrentes sobre ativos.”

Mercado de usados como extensão da cadeia produtiva

Outro aspecto relevante desse cenário é o fortalecimento do mercado de ativos industriais usados. Pequenas e médias indústrias, integradores e empresas de manutenção passaram a acessar equipamentos como forma de ampliar capacidade produtiva ou atender demandas específicas sem a necessidade de grandes investimentos iniciais.

Esse movimento cria uma dinâmica complementar: ativos que deixam de ser estratégicos para grandes plantas encontram novo uso em outros contextos produtivos, ampliando a eficiência do ecossistema industrial como um todo.

Um novo ciclo de reorganização industrial

O crescimento do volume de ativos industriais negociados não é um fenômeno isolado. Ele reflete um novo ciclo de reorganização da indústria brasileira, marcado por investimentos em modernização, revisão do parque fabril e decisões mais ativas sobre o ciclo de vida dos equipamentos.

Mais do que vender ou comprar ativos, a indústria passa a discutir como organizar melhor seu capital produtivo, equilibrando eficiência operacional, competitividade e sustentabilidade no longo prazo.

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